segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um paraíso chamado Moucha

Depois da praia de Khor Ambado, do hotel Kempinski e do Lac Assal, o quarto e último lugar obrigatório para ser visitado em Djibouti é a ilha de Moucha.

O passeio tem uma logística um pouco mais complicada, porque o acesso é feito com barco e a viagem dura cerca de 30 minutos. Dessa forma, aproveitamos o feriado de “Eid ul-Fitr” para organizar um passeio para a ilha.

Eid significa festividade e Fitr significa quebrar o jejum, pois esse feriado celebra o final do Ramadan, período em que os muçulmanos jejuam (não bebem nem mesmo água) desde o nascer até o por do sol. Diz-se que foi durante esse período que o Corão foi revelado ao profeta Maomé.

Durante o Ramadan, a produtividade na obra é baixíssima, pois todos os funcionários muçulmanos não trabalham na parte da tarde, uma vez que podem passar mal debaixo de tanto sol e sob o rigoroso jejum, que só é quebrado ao anoitecer com uma refeição chamada aftar. Conforme definição que ouvi aqui, é como se fosse um mês inteiro festejando o Natal, com as famílias se reunindo para comer e celebrar todas as noites. Até mesmo o khat, a droga local, só é vendido e consumido depois que o sol se põe.

O “Eid ul-Fitr” é um feriado de dois dias e seu início é incerto, pois o calendário islâmico é lunar e o começo da festividade depende da visualização de uma determinada posição da lua, o que é anunciado pelas autoridades religiosas. Isso acabou inviabilizando para mim qualquer planejamento de viagem para algum lugar mais longe (tinha pensado em visitar a Etiópia), porque só fiquei sabendo o dia exato na véspera.

Mas, fechando o parênteses sobre o Ramadan e voltando ao assunto principal dessa postagem, foi depois do anúncio oficial dos dias de folga que fechamos um grupo de 7 pessoas e decidimos alugar um barco, o que acabou custando 4500 DJF (francos djiboutianos) ou mais ou menos R$ 45 por cabeça.

A saída foi perto de 10 horas da manhã de uma marina localizada próxima ao porto de Djibouti. O resto do passeio eu conto através das fotos e vídeos abaixo.


O grupo: o paulista Alan, o português Bruno e eu.


Aqui aparece também o pernambucano de nascença, mas baiano de coração, Gustavo (Guga).


Meu chefe, ou como dizem aqui na Odebrecht, meu líder Márcio, o paulista com sotaque mais mineiro que eu conheço.


Os portugueses Covas e Daniel.


Saída do passeio próximo ao porto de Djibouti.


Navios atracados no porto de Djibouti. Outro desafio do nosso projeto vem da logística do transporte de materiais e equipamentos por via marítima, o que vem sendo agravado pela ação dos piratas da Somália (nunca pensei que um dia eu fosse ter que considerar isso na elaboração de um planejamento...rs).


O grupo em vídeo e em meio às ondas que faziam o barco pular.


No horizonte, o hotel Kempinski.


Após uns 15 minutos de barco, fizemos uma pausa para observar os golfinhos que acompanhavam nossa embarcação.


Nunca vi tantos golfinhos juntos.


Nesse vídeo é possível perceber a enorme quantidade de golfinhos que estavam à nossa volta.


No horizonte, começa a surgir a ilha de Moucha.


A ilha de Moucha possui cerca de 3 km de extensão. Logo ao seu lado, localiza-se a ilha de Maskali e uma série de outras ilhas menores, além de uma barreira de corais que fazem com que esse lugar seja bastante procurado por mergulhadores do mundo inteiro.


A cor da água vai ficando impressionante à medida que nos aproximamos da ilha.


No vídeo também é possível perceber a cor e a transparência do mar.


Essa foi a primeira praia que avistamos quando chegamos em Moucha.


Lá existe uma certa infraestrutura para passar o dia e fazer um belo churrasco. Como não estávamos preparados para tanto, seguimos adiante à procura de outra praia para aportar.


Chegamos a essa praia com uma cor de água lindíssima.


Essa praia também é freqüentada, na maioria, por franceses.


De um lado o belo azul do mar.


Do outro um manguezal com suas árvores de raízes aéreas (a foto foi cortada na altura da barriga propositalmente...).


Vídeo com uma tomada geral da praia. Aqui não foi um bom lugar para mergulhar. Além da grande quantidade de algas, também não vimos peixes nessa praia.


A galera jogando conversa fora na areia da praia.


Só assim pra desligar um pouco dos problemas do dia-a-dia.


Resolvemos então partir para outra praia. Essa foto não está torta... sou eu que estou sentado nesse lado do barco.


Esse vídeo também não está torto. Preciso fazer um regiminho...


Nesse lugar fiz o melhor mergulho da minha vida até agora. Uma água com visibilidade total, corais nos mais diferentes formatos, ostras gigantescas, peixes das mais diversas espécies, cores e tamanhos. Realmente um show. Vimos também uma arraia e dizem que por aqui existem tubarões-martelo e tubarões-cinza.


Por toda a volta da ilha vemos essas formações de rochas erodidas pela água.


Elas formam uma paisagem diferente.

Essa é a casa de veraneio do dono da construtora djiboutiana que é nossa parceira no projeto do porto.


Por outro ângulo.


Ao fundo podem ser vistas algumas cabanas onde é possível se hospedar para passar alguns dias na ilha.


O último lugar que visitamos foi essa praia que vemos no horizonte.


Essa praia foi a mais bonita que encontramos. Areia branquíssima com uns peixes da mesma cor, água transparente e com temperatura agradável. A galera aproveitou bastante.


E eu também, óbvio...

Curtindo a vida em Moucha

Voltamos para casa perto das 2 da tarde, por conta do horário do barco e também porque já estávamos satisfeitos com o que tínhamos visto. Ah...e também porque tinha uma feijoada sendo preparada pela Dona Lucila, hehe.

Moucha é realmente muito bonita e vale qualquer sacrifício para ser visitada. Da próxima vez queremos pegar uma barraca e organizar uma churrascada por lá. O melhor mesmo é levar a Dona Lucila, para que não tenhamos nenhuma tentação para voltar!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Destino: Lac Assal

Como eu falei em um post anterior, Djibouti tem vários lugares interessantes (4) para se conhecer. A sexta-feira veio chegando e eu estava ansioso pra conhecer um deles, o Lac Assal. O problema é que a maioria do pessoal está aqui há mais tempo e disseram que não é programa pra ser repetido.



Ainda bem que meu amigo Agostinho, assim como eu, está aqui faz poucos meses e ainda não conhecia o local. Assim arranjei companhia para o passeio.



Partimos bem cedo, pois queríamos voltar a tempo de saborear o bacalhau preparado pela Dona Lucila para o almoço.

Começo da viagem na estrada que vai pra Etiópia.


Depois de alguns quilômetros avistamos esses babuínos atravessando a estrada.
Com um pouco de zoom fica mais fácil enxergar.

A estrada tem um movimento grande de caminhões, mas não achei tão ruim como tinham nos falado.

Ela passa ao lado do leito ressecado de um rio. Dizem que quando chove na Etiópia, ele torna-se caudaloso, mas é difícil acreditar.

Depois de alguns quilômetros, curva pra direita e pega-se a estrada que começa nesse pórtico. Meu GPS natural nunca falha!

Parada no primeiro mirante, com direito a compra de artesanatos locais com meu francês fluente...

...e essa bonita vista de um dos extremos do Golfo de Tadjourah, região denominada Baía de Goubet-Al-Kharab, uma laguna de águas escuras e profundas (mais de 200 metros de profundidade) que se comunica com o mar através de uma pequena abertura. Essa laguna é rodeada de mitos e até hoje é difícil convencer um pescador da região a andar de barco por suas águas. Seu nome na língua local Afar significa Golfo dos Demônios.

Pausa para fotos.

Não pula Agostinho!

Depois das compras e das fotos, continuamos na estrada e finalmente surgiu no horizonte o famoso Lac Assal.
O Lac Assal é um lago formado na cratera de um vulcão extinto situado na região de Tadjourah, fronteira com a região de Dikhil, a cerca de 100 km da cidade de Djibouti. É o ponto de menor altitude da África, a cerca de 155 metros abaixo do nível do mar, e também um dos lugares mais quentes do planeta. Aqui as temperaturas ultrapassam os 50 graus muito facilmente.

Tem uma área aproximada de 54 km² e uma profundidade média de 7,4 metros. A profundidade máxima ultrapassa os 20 metros, contendo cerca de 400.000.000 m³ de água.

É considerado o lago mais salgado do mundo (mais salgado do que o Mar Morto) e, devido a esta característica, é um local frequentado pelos beduínos e caravanas que usam o sal como moeda de troca e o transformaram na maior fonte de riqueza local, exportando-o para países como a Etiópia.


Logo na chegada, surgem montanhas de sal...
...com formatos e colorações diferentes

O Lac Assal também é procurado por vários turistas que aproveitam a água salobra para tratamentos de pele e de doenças dos ossos, como a osteoporose.
Chegamos! O calor é realmente indescritível. Devia estar mais de 50 graus.
O fundo do lago é formado por cristais de sal. Um cenário muito bonito, mas pra andar aqui só de chinelo.
O Agostinho teve que alugar os chinelos desse rapaz, que depois pediu pra ser fotografado. Esqueci de anotar o e-mail dele pra enviar depois...
É tanto calor e tanto sal, que o lago tem essa névoa na superfície.
Nesse vídeo quase dá pra sentir o calor e o sal do lago!
Tomei coragem e entrei. A gente bóia muito facilmente mesmo! Mas a água é tão salgada que o nariz arde demais quando se mergulha.
A vontade é sair e tomar uma ducha o quanto antes. Mas sempre há tempo para mais uma auto-foto.
Rubro-negro presente no Lac Assal! Não dizem que sal grosso afasta mau olhado? Que tal esse lago inteiro pra reverter a situacão do Furacão?
Vários comentários nessa foto:
1) Mais artesanato... Aqui eles são feitos de cristais de sal, ou seja, nada de contato com a água ou seu souvenir vira pó;
2) Essa é a posição preferida do pessoal daqui - de cócoras. Meus joelhos e minha barriga não permitem adotar esse costume, hehe;
3) É muito triste vê-los pedindo água no lugar de dinheiro...
No caminho de volta, resolvemos conhecer a praia de Goubet e a Ilha do Diabo!
Vídeo da chegada em Goubet.
Se o inferno é realmente quente, o diabo escolheu o lugar certo pra morar.
Praia de Goubet, piso e paisagem de pedra.
As cabanas da praia de Goubet: mais um programa pra sexta-feira...
...um bom lugar para encostar seu burro na sombra.
Perto da praia de Goubet as pessoas moram nessas casas feitas de pedra.
Mas a mesquita é de alvenaria.
No caminho de volta para Djibouti, procuramos por uma fonte de águas ferventes, mas só encontramos outro mirante com vista pra essa espécie de canyon.
E mais uma auto-foto pra registro. Tudo muito rápido pra chegar pro almoço na Staff House 1.
Mas sempre com as emoções de costume pelo caminho...
No fim do dia, depois do bacalhau da Dona Lucila (que estava delicioso, por sinal), ainda sobrou tempo pra mais um mergulho em Khor Ambado...
...e mais um por do sol em Djibouti.
E dormi com a certeza de que discordo da maioria do pessoal daqui, pois acho que Lac Assal é um lugar para se voltar sempre que possível.