segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um paraíso chamado Moucha

Depois da praia de Khor Ambado, do hotel Kempinski e do Lac Assal, o quarto e último lugar obrigatório para ser visitado em Djibouti é a ilha de Moucha.

O passeio tem uma logística um pouco mais complicada, porque o acesso é feito com barco e a viagem dura cerca de 30 minutos. Dessa forma, aproveitamos o feriado de “Eid ul-Fitr” para organizar um passeio para a ilha.

Eid significa festividade e Fitr significa quebrar o jejum, pois esse feriado celebra o final do Ramadan, período em que os muçulmanos jejuam (não bebem nem mesmo água) desde o nascer até o por do sol. Diz-se que foi durante esse período que o Corão foi revelado ao profeta Maomé.

Durante o Ramadan, a produtividade na obra é baixíssima, pois todos os funcionários muçulmanos não trabalham na parte da tarde, uma vez que podem passar mal debaixo de tanto sol e sob o rigoroso jejum, que só é quebrado ao anoitecer com uma refeição chamada aftar. Conforme definição que ouvi aqui, é como se fosse um mês inteiro festejando o Natal, com as famílias se reunindo para comer e celebrar todas as noites. Até mesmo o khat, a droga local, só é vendido e consumido depois que o sol se põe.

O “Eid ul-Fitr” é um feriado de dois dias e seu início é incerto, pois o calendário islâmico é lunar e o começo da festividade depende da visualização de uma determinada posição da lua, o que é anunciado pelas autoridades religiosas. Isso acabou inviabilizando para mim qualquer planejamento de viagem para algum lugar mais longe (tinha pensado em visitar a Etiópia), porque só fiquei sabendo o dia exato na véspera.

Mas, fechando o parênteses sobre o Ramadan e voltando ao assunto principal dessa postagem, foi depois do anúncio oficial dos dias de folga que fechamos um grupo de 7 pessoas e decidimos alugar um barco, o que acabou custando 4500 DJF (francos djiboutianos) ou mais ou menos R$ 45 por cabeça.

A saída foi perto de 10 horas da manhã de uma marina localizada próxima ao porto de Djibouti. O resto do passeio eu conto através das fotos e vídeos abaixo.


O grupo: o paulista Alan, o português Bruno e eu.


Aqui aparece também o pernambucano de nascença, mas baiano de coração, Gustavo (Guga).


Meu chefe, ou como dizem aqui na Odebrecht, meu líder Márcio, o paulista com sotaque mais mineiro que eu conheço.


Os portugueses Covas e Daniel.


Saída do passeio próximo ao porto de Djibouti.


Navios atracados no porto de Djibouti. Outro desafio do nosso projeto vem da logística do transporte de materiais e equipamentos por via marítima, o que vem sendo agravado pela ação dos piratas da Somália (nunca pensei que um dia eu fosse ter que considerar isso na elaboração de um planejamento...rs).

video
O grupo em vídeo e em meio às ondas que faziam o barco pular.


No horizonte, o hotel Kempinski.


Após uns 15 minutos de barco, fizemos uma pausa para observar os golfinhos que acompanhavam nossa embarcação.


Nunca vi tantos golfinhos juntos.

video
Nesse vídeo é possível perceber a enorme quantidade de golfinhos que estavam à nossa volta.


No horizonte, começa a surgir a ilha de Moucha.


A ilha de Moucha possui cerca de 3 km de extensão. Logo ao seu lado, localiza-se a ilha de Maskali e uma série de outras ilhas menores, além de uma barreira de corais que fazem com que esse lugar seja bastante procurado por mergulhadores do mundo inteiro.


A cor da água vai ficando impressionante à medida que nos aproximamos da ilha.

video
No vídeo também é possível perceber a cor e a transparência do mar.


Essa foi a primeira praia que avistamos quando chegamos em Moucha.


Lá existe uma certa infraestrutura para passar o dia e fazer um belo churrasco. Como não estávamos preparados para tanto, seguimos adiante à procura de outra praia para aportar.


Chegamos a essa praia com uma cor de água lindíssima.


Essa praia também é freqüentada, na maioria, por franceses.


De um lado o belo azul do mar.


Do outro um manguezal com suas árvores de raízes aéreas (a foto foi cortada na altura da barriga propositalmente...).

video
Vídeo com uma tomada geral da praia. Aqui não foi um bom lugar para mergulhar. Além da grande quantidade de algas, também não vimos peixes nessa praia.


A galera jogando conversa fora na areia da praia.


Só assim pra desligar um pouco dos problemas do dia-a-dia.


Resolvemos então partir para outra praia. Essa foto não está torta... sou eu que estou sentado nesse lado do barco.

video
Esse vídeo também não está torto. Preciso fazer um regiminho...


Nesse lugar fiz o melhor mergulho da minha vida até agora. Uma água com visibilidade total, corais nos mais diferentes formatos, ostras gigantescas, peixes das mais diversas espécies, cores e tamanhos. Realmente um show. Vimos também uma arraia e dizem que por aqui existem tubarões-martelo e tubarões-cinza.


Por toda a volta da ilha vemos essas formações de rochas erodidas pela água.


Elas formam uma paisagem diferente.

Essa é a casa de veraneio do dono da construtora djiboutiana que é nossa parceira no projeto do porto.


Por outro ângulo.


Ao fundo podem ser vistas algumas cabanas onde é possível se hospedar para passar alguns dias na ilha.


O último lugar que visitamos foi essa praia que vemos no horizonte.


Essa praia foi a mais bonita que encontramos. Areia branquíssima com uns peixes da mesma cor, água transparente e com temperatura agradável. A galera aproveitou bastante.


E eu também, óbvio...

video
Curtindo a vida em Moucha

Voltamos para casa perto das 2 da tarde, por conta do horário do barco e também porque já estávamos satisfeitos com o que tínhamos visto. Ah...e também porque tinha uma feijoada sendo preparada pela Dona Lucila, hehe.

Moucha é realmente muito bonita e vale qualquer sacrifício para ser visitada. Da próxima vez queremos pegar uma barraca e organizar uma churrascada por lá. O melhor mesmo é levar a Dona Lucila, para que não tenhamos nenhuma tentação para voltar!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Destino: Lac Assal

Como eu falei em um post anterior, Djibouti tem vários lugares interessantes (4) para se conhecer. A sexta-feira veio chegando e eu estava ansioso pra conhecer um deles, o Lac Assal. O problema é que a maioria do pessoal está aqui há mais tempo e disseram que não é programa pra ser repetido.



Ainda bem que meu amigo Agostinho, assim como eu, está aqui faz poucos meses e ainda não conhecia o local. Assim arranjei companhia para o passeio.



Partimos bem cedo, pois queríamos voltar a tempo de saborear o bacalhau preparado pela Dona Lucila para o almoço.

video
Começo da viagem na estrada que vai pra Etiópia.


Depois de alguns quilômetros avistamos esses babuínos atravessando a estrada.
Com um pouco de zoom fica mais fácil enxergar.

A estrada tem um movimento grande de caminhões, mas não achei tão ruim como tinham nos falado.

Ela passa ao lado do leito ressecado de um rio. Dizem que quando chove na Etiópia, ele torna-se caudaloso, mas é difícil acreditar.

Depois de alguns quilômetros, curva pra direita e pega-se a estrada que começa nesse pórtico. Meu GPS natural nunca falha!

Parada no primeiro mirante, com direito a compra de artesanatos locais com meu francês fluente...

...e essa bonita vista de um dos extremos do Golfo de Tadjourah, região denominada Baía de Goubet-Al-Kharab, uma laguna de águas escuras e profundas (mais de 200 metros de profundidade) que se comunica com o mar através de uma pequena abertura. Essa laguna é rodeada de mitos e até hoje é difícil convencer um pescador da região a andar de barco por suas águas. Seu nome na língua local Afar significa Golfo dos Demônios.

Pausa para fotos.

Não pula Agostinho!

Depois das compras e das fotos, continuamos na estrada e finalmente surgiu no horizonte o famoso Lac Assal.
O Lac Assal é um lago formado na cratera de um vulcão extinto situado na região de Tadjourah, fronteira com a região de Dikhil, a cerca de 100 km da cidade de Djibouti. É o ponto de menor altitude da África, a cerca de 155 metros abaixo do nível do mar, e também um dos lugares mais quentes do planeta. Aqui as temperaturas ultrapassam os 50 graus muito facilmente.

Tem uma área aproximada de 54 km² e uma profundidade média de 7,4 metros. A profundidade máxima ultrapassa os 20 metros, contendo cerca de 400.000.000 m³ de água.

É considerado o lago mais salgado do mundo (mais salgado do que o Mar Morto) e, devido a esta característica, é um local frequentado pelos beduínos e caravanas que usam o sal como moeda de troca e o transformaram na maior fonte de riqueza local, exportando-o para países como a Etiópia.


Logo na chegada, surgem montanhas de sal...
...com formatos e colorações diferentes

O Lac Assal também é procurado por vários turistas que aproveitam a água salobra para tratamentos de pele e de doenças dos ossos, como a osteoporose.
Chegamos! O calor é realmente indescritível. Devia estar mais de 50 graus.
O fundo do lago é formado por cristais de sal. Um cenário muito bonito, mas pra andar aqui só de chinelo.
O Agostinho teve que alugar os chinelos desse rapaz, que depois pediu pra ser fotografado. Esqueci de anotar o e-mail dele pra enviar depois...
É tanto calor e tanto sal, que o lago tem essa névoa na superfície.
video
Nesse vídeo quase dá pra sentir o calor e o sal do lago!
Tomei coragem e entrei. A gente bóia muito facilmente mesmo! Mas a água é tão salgada que o nariz arde demais quando se mergulha.
A vontade é sair e tomar uma ducha o quanto antes. Mas sempre há tempo para mais uma auto-foto.
Rubro-negro presente no Lac Assal! Não dizem que sal grosso afasta mau olhado? Que tal esse lago inteiro pra reverter a situacão do Furacão?
Vários comentários nessa foto:
1) Mais artesanato... Aqui eles são feitos de cristais de sal, ou seja, nada de contato com a água ou seu souvenir vira pó;
2) Essa é a posição preferida do pessoal daqui - de cócoras. Meus joelhos e minha barriga não permitem adotar esse costume, hehe;
3) É muito triste vê-los pedindo água no lugar de dinheiro...
No caminho de volta, resolvemos conhecer a praia de Goubet e a Ilha do Diabo!
video
Vídeo da chegada em Goubet.
Se o inferno é realmente quente, o diabo escolheu o lugar certo pra morar.
Praia de Goubet, piso e paisagem de pedra.
As cabanas da praia de Goubet: mais um programa pra sexta-feira...
...um bom lugar para encostar seu burro na sombra.
Perto da praia de Goubet as pessoas moram nessas casas feitas de pedra.
Mas a mesquita é de alvenaria.
No caminho de volta para Djibouti, procuramos por uma fonte de águas ferventes, mas só encontramos outro mirante com vista pra essa espécie de canyon.
E mais uma auto-foto pra registro. Tudo muito rápido pra chegar pro almoço na Staff House 1.
video
Mas sempre com as emoções de costume pelo caminho...
No fim do dia, depois do bacalhau da Dona Lucila (que estava delicioso, por sinal), ainda sobrou tempo pra mais um mergulho em Khor Ambado...
...e mais um por do sol em Djibouti.
E dormi com a certeza de que discordo da maioria do pessoal daqui, pois acho que Lac Assal é um lugar para se voltar sempre que possível.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Feliz Ano Novo! Feliz 2001...Etiópia!

A Etiópia utiliza um calendário próprio e celebrou a chegada do ano novo (ou Inqut’at’ash) de 2001 no dia 11 de setembro (segundo o nosso calendário). O país foi um dos primeiros reinos cristãos da história e seu calendário segue o juliano, criado pelo imperador romano Júlio César e seus astrônomos em 46 a.C.

Hoje em dia, a maior parte do mundo e todos os países ocidentais utilizam o calendário gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XII no ano de 1582 e que foi sendo implementado lentamente em várias nações, em substituição ao calendário juliano.

O horário na Etiópia também é diferente e nesse período do ano as horas coincidem com o horário de Brasília, ou seja, eles têm 6 horas de defasagem em relação ao país vizinho Djibouti, que teoricamente estaria no mesmo fuso horário.

Fomos convidados a participar do evento da passagem de ano dos etíopes de uma maneira solene e extremamente educada pelo Gashaw, um operador de escavadeira que trabalha no turno da noite e que foi um dos organizadores da festa. Ele é bastante religioso e participante ativo da comunidade etíope de Djibouti, a qual se reúne periodicamente na igreja cristã ortodoxa localizada no centro da cidade.

Na obra temos mais de 130 etíopes, quase todos morando no Doraleh Camp, alojamento localizado próximo à obra e local onde foi realizada a festa.

No início aceitamos o convite mais por educação, porque no fundo era até estranho comemorar o Ano Novo em pleno mês de setembro!

No entanto eu posso dizer que tive a oportunidade única de participar de uma festa muito animada, com um astral e uma energia muito legais. São momentos como esse que fazem valer a pena o desafio de morar longe do seu país!


Lema, operador de carregadeira e outro organizador da festa. Eles montaram um palanque para as “autoridades”. Na entrada, as bandeiras de Djibouti e da Etiópia tremulando.

Seguem imagens e vídeos da festa:


O pessoal se arrumando para o evento. Pelo jeito o branco também é tradição na Etiópia.


Depois de muito trabalho na organização, está chegando a hora de comemorar!


Tudo pronto! Agora é só esperar os convidados e começar a festa!


Chegamos um pouco mais tarde, perto das dez da noite. Na foto, eu, o português Bruno e o carioca Giorgio curtindo uma Castel Beer, cerveja produzida na Etiópia.


Por outro ângulo, na câmera dos meus amigos etíopes.

As etíopes preparando a cerimônia do café. Ao lado, Gashaw, o anfitrião da festa em traje de gala. Ele fez questão de lembrar que a bebida surgiu na Etiópia, onde eles têm o costume de beber comendo pipoca.


Os convidados já presentes! Todo mundo comportado sentado nos bancos. Do lado direito o DJ começando a esquentar...

video
De repente o pessoal começou a bater palmas e alguns se levantaram dos bancos.
A festa começando a esquentar...

video
...com o primeiro grupo que teve coragem de sair dos bancos e começar a dançar.


O paranaense Fischer, encarregado dos interlock blocks, entrando no clima.


A galera foi aumentando...


Eu e Dona Lucila só observando...


A cerimônia do café. A bebida foi servida para os convidados: na foto, o colombiano Raul, o carioca Garrido em trajes etíopes e eu.


Pausa na festa para os discursos. O primeiro foi Gashaw, que fez um discurso muito bonito...

video
...agradecendo os convidados por participarem daquele momento tão importante para os etíopes e enaltecendo a Etiópia, orgulhoso pelo fato de ter sido o único país africano que nunca foi dominado por nenhuma outra nação e que, por conta disso, pode manter intactas a sua cultura e a sua história.


Em seguida foi a vez dos líderes de cada área falarem. Primeiro o português Albano, da terraplanagem e o Bruno, dos trabalhos no cais.
Em seguida, o Giorgio da área de Utilities (hidráulica, elétrica e mecânica).


Todos receberam presentes e homenagens.


A baiana Rafaela recebeu o presente pela área de Recursos Humanos.


O quadro presenteado pelos etíopes.


Após os discursos, tudo pronto para acender a fogueira e começar a comemoração pela passagem do ano.


Garrido e Giorgio foram convidados para acender a fogueira.


A roda começou a ser formada em volta da fogueira.


E eu entrei no meio...

video
Esse foi o auge da festa! Fogos de artifício, a fogueira cada vez mais forte, a música alta e contagiante e a galera vibrando como se estivesse num estádio de futebol. Foi muito legal!


Nessa hora era só mão pra cima!


Absorvendo a energia do fogo!

video
Os etíopes dançam com os ombros. É muito difícil de imitar.


Eles dançam de dois em dois, como se estivessem desafiando uns aos outros.


Dona Lucila entrou na roda pra mostrar o que é que a baiana tem!


A etíope veio ensinar a Dona Lucila, que mostrou todo o gingado brasileiro.


Rafaela também aproveitou pra aprender a dança etíope.


Dona Lucila confessou que há muito tempo não chacoalhava tanto o esqueleto!


Eu e Giorgio também fomos pra galera!


Ninguém mais sentado nos bancos.


Túnel do tempo: pela lógica, por ter passado por essa cerimônia do ano novo de 2001, no próximo mês de outubro completarei 28 aninhos!


A alegria era geral! Confraternização total entre etíopes, portugueses e brasileiros!


Bruno, Gashaw e eu. Grande festa! Parabéns a todos os etíopes que organizaram o evento!


Esse de verde trabalhou pra burro servindo as cervejas pro pessoal! Mas tudo com muita alegria! Segundo minha dentista, os negros nos ensinaram a sorrir! Acho que ela tem razão...quer dizer, com exceção do nosso amigo da esquerda...hehe


E pra você, eu deixo apenas, meu olhar 43, aquele assim, meio de lado já saindo, indo embora, louco por você...


Doraleh Camp, alojamento e local da festa.


Brasil, sil, sil...


Etiópia, pia, pia...


Eles gostam muito dos brasileiros.


Eles não sabiam mais como demonstrar o respeito que tem por nós.


Valeu galera! Tudo de bom no novo ano que começa para todos os etíopes!


FELIZ 2001 ETIÓPIA!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Djibouti x Malawi: um clássico!

Bem amigos da Conexão Djibouti! Falamos diretamente do Stade du Ville ou Stade National Gouled. Hoje teremos um clássico africano válido pelas Eliminatórios da Copa de 2010 na África do Sul. De um lado, a valente equipe de Djibouti. De outro, a não menos raçuda equipe de Malawi.

Pois é. O Galvão Bueno gosta de falar que não tem mais time bobo no futebol. Mas ele deveria ter assistido esse divertido jogo que acompanhei aqui em Djibouti.

Mas não podemos esquecer que os jogadores djiboutianos não são profissionais. Se bobear, muitos deles devem trabalhar até mesmo na obra. Quem sabe aquele carpinteiro franzino seja o meio de campo habilidoso ou o servente recém contratado seja o centroavante “goleador”.

Desde que vi o estádio, que fica no caminho entre a Staff House e a obra, imaginei que seria uma experiência interessante ver um jogo de futebol profissional em terras africanas. Quando me dei conta de que estava na capital de um país que provavelmente estivesse participando das eliminatórias, corri para o site da FIFA para ver a programação dos jogos. Por sorte, o próximo jogo de Djibouti seria em casa e bem próximo da data em que fiz a pesquisa.

Pesquisei a situação do time de Djibouti na competição, mas ela não era nada animadora. Nem mesmo o adversário, Malawi, parecia aspirar alguma coisa além de uma honrosa participação no certame.



Djibouti: 4 jogos, 4 derrotas, 2 gols a favor e 23 contra. Sem dúvida, uma campanha memorável. Se bem que, como bem lembrou o meu irmão Digo, o Atlético, na mesma época desse jogo, não tinha números muito melhores que esses nos últimos 4 jogos que tinha feito.



O desempenho jogo a jogo. O melhor resultado de Djibouti havia sido uma derrota de 4x0 para o Egito, em casa.

Conversei com o pessoal sobre o jogo, mas ninguém se animou. O único que topou o programa diferenciado (novo nome pra programa de índio) foi meu amigo português, o Gonçalo, fanático torcedor do Benfica.

Enviei um e-mail para a Federação Djiboutiana de Futebol, pois no site da FIFA não havia confirmação da realização da partida, muito menos o horário da mesma. Estou até agora esperando alguma resposta...

Resolvi passar no estádio na tarde do dia do jogo. Tudo confirmado. O preço do ingresso? Surpreendentes 200 DJF (R$ 2,00). Deve ser como aquelas campanhas do Nescau que o Paraná e o Coxa adoravam fazer pra conseguir encher o estádio.

Para nos certificarmos de que não haveria problemas na entrada do estádio, o Gonçalo resolveu convidar um amigo djiboutiano, o Ahmed, que também trabalha conosco na obra do porto. Foi bom porque na hora de estacionarmos o carro, ele nos indicou qual seria o melhor lugar, pois em outros pontos as crianças têm o costume de jogar pedras nos veículos ao final do jogo (maldita mania desses moleques!).

Além disso, o Ahmed era amigo de todo o pessoal que fazia a segurança do jogo e acabamos entrando sem pagar o “abusivo” preço do ingresso.

Entramos quando o jogo já estava com uns 5 minutos do primeiro tempo. Fiquei um pouco decepcionado porque queria ver a cerimônia da entrada e a execução dos hinos dos dois países. Paciência... o negócio agora era só acompanhar o desempenho das duas equipes.

Um passe errado aqui, outro ali, um chute sem direção e eu comecei a ver que o lateral direito e o goleiro de Djibouti não inspiravam muita confiança. Na verdade, comecei a perceber que, com um pouco mais de condicionamento físico, eu poderia ganhar alguma posição naquele time. Pra vocês verem como a situação tava feia!

O time de Djibouti, apesar das deficiências técnicas e de não ter conseguido passar muitas vezes do meio de campo, demonstrou muita raça e força de vontade durante todo o jogo.

Acompanhe nas fotos e vídeos a seguir os melhores momentos da partida!

video
Os primeiros minutos de jogo foram de muita correria e pouca objetividade.



A pressão do time de Malawi começa cedo.



Camiseta “Renattu” fez sucesso por lá. Repare que a bola continua na defesa de Djibouti.



Momento inusitado. Enquanto o jogador de Djibouti estava sendo atendido, todo o time de Malawi se reuniu para receber as instruções do treinador e beber um pouco de água.



Vamos lá time! Bora voltar pro jogo!



Meus companheiros de arquibancada: o djiboutiano Ahmed e o português Gonçalo.



O estádio é uma Vila Capanema mais simpática, sem as arquibancadas dos fundos de cada gol e sem os puxadinhos recém inaugurados. Cabem 10.000 pessoas, mas não estava lotado, longe disso na verdade. O público deve ter sido próximo a 2.000 pessoas. E mais 3 que não pagaram ingresso...rs (e a bola sempre no campo de defesa de Djibouti).



Intensa disputa no meio de campo. Nesse lance quase que a bola passou pro outro lado.



Escanteio para Malawi. O calor estava intenso, mesmo depois das 9 da noite e os jogadores já apresentavam sinais claros de cansaço. Repare também que o folclórico goleiro de Djibouti é um dos mais baixos do time!



E a bola onde está? Perto da área de Djibouti.



A torcida é um show à parte. Eles aplaudem tudo, um drible, um chutão do beque pra lateral, uma roubada de bola, mas o mais incrível foi eles terem aplaudido entusiasmadamente os gols do adversário!

video
Melhor jogada de Djibouti na partida. Ah...e o gramado é sintético mesmo.



O placar eletrônico não estava funcionando...nem o relógio.



Do outro lado, esse pórtico com funções desconhecidas.

video
O primeiro tempo acabou com um magro 1x0 para o Malawi. Acompanhe os depoimentos dos nossos comentaristas internacionais.



Intervalo de jogo. Fiquei esperando algum megashow, hehe. Pelo menos tocou uma musiquinha no bom sistema de som do estádio.

video
Como todo bom vendedor ambulante, essa simpática senhora também tinha seu grito de guerra: Allez Djibouti! Além de um monte de outras palavras que nem o Ahmed compreendia e que ela gritava com sua voz aguda. Provavelmente algo bem engraçado, porque todo mundo não parava de rir. Na sacola, ela vendia umas barrinhas de chocolate e pirulitos.



Auto-foto tripla nas “cadeiras numeradas”.



Outra auto-foto. Reparem o forte esquema de segurança com vários soldados armados até os dentes...



...deve ser pra proteger as “otoridade” presentes. Mas devem ser meio desprestigiados porque nem pra ter um camarotezinho com ar condicionado?



Esses dois adolescentes passaram o jogo inteiro abraçados numa bonita demonstração de amizade. Aliás, aqui em Djibouti, como em outros lugares da África, é comum que os amigos homens andem de mãos dadas pelas ruas.


video
O grupo mais à esquerda na arquibancada era a torcida de Malawi. Início de segundo tempo e os aplausos continuam.





Substituição no time de Malawi. Pelo jeito o técnico não gostou da atuação do reserva e resolveu voltar com o titular da posição.

video
Equipe de Djibouti fortemente abalada após o gol por debaixo das pernas do goleiro.

Saímos do jogo aos 30-35 minutos do segundo tempo, um pouco depois do terceiro gol da equipe do Malawi, a fim de evitarmos maiores confusões nas ruas escuras ao redor do estádio. Felizmente chegamos ao carro e ele estava inteiro, sem nenhuma marca de apedrejamento, hehe!

O placar final do jogo acabou sendo esse mesmo: 3x0 para Malawi. Considerei essa derrota um ótimo resultado para o selecionado local, tendo em vista o desempenho nas últimas partidas e o fato de ter sido a primeira vez que Djibouti entrou na fase de grupos das Eliminatórias.

Parabéns!!

Confesso que me diverti mais do que nos últimos jogos do Atlético que assisti na Arena da Baixada.

Um banho de primeiro mundo

Após o passeio pelas ruas alagadas do centro, decidimos conhecer o Djibouti Palace Kempinski. Trata-se de um resort de luxo pertencente a uma rede que também está presente em outros lugares da África e do Oriente Médio. O dono? Shaikh Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, que é “só” o Shaikh de Dubai.

Existem muitos investimentos de Dubai aqui em Djibouti, incluindo aí o porto e a ampliação do mesmo, onde estou trabalhando. Djibouti, assim como os Emirados Árabes, é uma Free Zone, ou seja, existem isenções fiscais para investimentos por aqui. Alguns arriscam chamar Djibouti de “a pequena Dubai africana” (falta muito, mas torço que eles cheguem lá!).

Pelo menos o hotel parece coisa das Arábias. A sensação que temos assim que cruzamos o portão de entrada é a de estarmos entrando em outra dimensão, tal é o contraste gigantesco que existe com a pobreza, a sujeira e a modéstia do restante da cidade.

Confira comigo as fotos e o vídeo que fiz na minha visita e comprove se é verdade.




Já na entrada uma fonte e uma fachada imponente.



O fato de ter água jorrando de uma fonte por aqui já é um luxo.



Djibouti Palace Kempinski – Entrada principal. Aqui tem um serviço de vallet interessante. Eles guardam seu carro, mas depois te devolvem a chave e você tem que se virar para achá-lo no meio do estacionamento. Nessa hora, você lembra que está em Djibouti...rs



Eu gostei bastante dos lustres. Ao vivo é mais bonito!



O Hall Principal. Quando a porta automática se fecha, a passagem para outra dimensão está completa.



Outra fonte com pétalas de rosa enfeitando. Tudo no maior capricho.



video
Os quartos mais simples do hotel variam de cerca de R$ 700 a R$ 1400 para um casal. Já a diária da suíte presidencial custa a bagatela de R$ 12.500. Perguntei então qual era o grande atrativo do hotel, pois por maior que seja a beleza do mar de Djibouti e o luxo do hotel, é difícil imaginar porque algum estrangeiro despencaria por essas terras para passar alguns dias nesse resort nada barato. A resposta: o cassino.



A piscina. Aqui só lembramos de Djibouti em função da bandeira hasteada.



Qualquer um pode freqüentar a piscina. Basta pagar 5000 DJF (cerca de R$ 50) e passar o dia curtindo. Vemos muitas famílias de franceses, soldados americanos e da legião estrangeira por aqui.



O hotel visto da piscina.



As cadeiras da piscina são muito confortáveis e de muito bom gosto. O lado ruim são as moscas e os corvos por todos os lados.



O barzinho da piscina.



Dá pra beber e comer sem precisar sair da água.



Dentro do hotel existem vários lounges como este...



...e este.



Tudo muito bonito, limpo e organizado.



O Shaikh de Dubai e o presidente de Djibouti.



Tentei flagrar um soldado da Legião Estrangeira e o uniforme esquisito que eles usam por aqui. O shortinho curto e esse meião esticado ficam muito ridículos.



Achei muito legais os objetos de decoração.



Aqui um pouco do estilo árabe.



Pratos e vasos que devem custar uma fortuna!



Até pra engraxar os sapatos o negócio é sofisticado!



Pra comemorar nossa viagem ao primeiro mundo, uma cerveja do terceiro! A gente não perde as raízes!



Agostinho, o GAF (Gerente Administrativo Financeiro), que me acompanhou nesse passeio.

O hotel também tem uma cozinha internacional que oferece comidas de várias partes do mundo ao longo da semana. Nas sextas-feiras tem almoço com buffet livre por 9000 DJF (R$ 90) incluindo bebida e vários tipos de comida. Voltei ao hotel outro dia para almoçar, mas confesso que não gostei dos temperos.



O buffet também capricha na decoração. Um cisne feito de gelo.



Melancias decoradas.



O caixa do restaurante e a moça que tentou escapar da foto!



Após passar o dia na piscina, foi bonito ver o pôr do sol em Djibouti.



A piscina e o sol se despedindo da cidade.

Confesso que fiquei e continuo ficando muito entusiasmado com as visitas ao Kempinski. Espero passar mais dias aqui. Depois de uma semana pesada de trabalho é muito bom poder dar uma relaxada na piscina e mudar um pouquinho de ares...

...ou de dimensão!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O dia em que choveu em Djibouti

Vocês já devem ter reparado que quando o papo não evolui entre duas pessoas que não se conhecem muito bem, invariavelmente o assunto acaba por evoluir para o tempo. Pois bem, foi numa dessas situações que fiquei sabendo, por pessoas que já moram aqui há mais de 2 anos, que durante todo esse período eles tinham presenciado uma única garoazinha fraca de uns 15 minutos em Djibouti.

Por isso, foi uma grande surpresa quando acordei numa sexta-feira com o barulho das trovoadas. Por um momento achei que estivesse em Curitiba, depois pensei que era o barulho do gerador diesel, que liga toda vez que a energia cai por aqui. Mas não. Realmente era a chuva caindo em Djibouti!

Saltei da cama rapidinho e apanhei minha fiel escudeira digital para registrar esse momento raro. Pena que ele aconteceu justamente no meu dia de folga e acabou estragando o passeio que tínhamos marcado. No fim do dia, saímos para dar uma volta no centro e bater mais umas fotos desse dia chuvoso que só deve acontecer novamente por aqui em 2010! O resultado vocês podem ver nos vídeos e nas fotos a seguir.


O início da tempestade que depois veio com força total.


Os vizinhos da minha janela tiveram que improvisar uma cabaninha.

video
Chove chuva...

video
...chove sem parar!


A chuva veio com força depois de tanto tempo sem cair.


A rua da Staff House ficou desse jeito. Aqui chove tão pouco que as ruas não tem bueiros.


Volta pelo centro. Vestígios da colonização francesa em Djibouti.


Chegando ao centro nervoso de Djibouti. Seco já é feio, com esse monte de poças então...


Esse é o mercado central de Djibouti. Já é caótico e nojento sem chuva, imagine assim...


Dizem que eles não gostam que tirem fotos deles. Realmente o rapaz está com cara de poucos amigos...Sorria!


Mesquita na praça do mercado central.


Aqui é como Salvador e suas igrejas. Uma mesquita em cada esquina.


As barracas do mercado.

video
Aposto que a mulherada aí do Brasil iria adorar mesmo sendo desse jeito.

Toda rótula tem algum enfeite no meio.

Terminamos o dia no hotel Kempinski, mas isso já é história para ser contada no próximo post. Não percam!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Cenas pitorescas de Djibouti

Para que vocês possam conhecer um pouco mais a cidade e sentir como é o dia-a-dia por aqui, seguem algumas fotos e vídeos pitorescos que fiz por aqui.

A primeira coisa que chama a atenção por aqui, quando saímos para dar uma volta, é o trânsito. Como já falei, são poucos carros, mas as barbeiragens são inúmeras. Mas, outro fato interessante, são os enfeites, adesivos, adereços e cores dos ônibus. Tem alguns que parecem verdadeiros carros alegóricos.

video

Vídeo mostrando um pouco do trânsito de Djibouti


O que também chama a atenção é o estado de conservação de alguns veículos, muitos sem os pára-brisas, outros sem boa parte da lataria e alguns com tanta ferrugem, que se você for atropelado, ou morre do choque ou morre de tétano.



Esses são os ônibus que transportam o pessoal da obra...


...todos com esse enfeite brega no retrovisor



Alguns são originais até mesmo na cor (rosa bichona)



Os táxis também não ficam pra trás. Todos têm essas capas no volante. Alguns têm o volante do lado direito, o que explica parte das barbeiragens no trânsito. Eu só não entendo essa manta em cima do painel nesse calor infernal que faz por aqui



Aqui as mulheres podem dirigir, diferente da Arábia Saudita e de outros países muçulmanos mais radicais, como o Yemen, onde num recente decreto, as mulheres foram proibidas até mesmo de sair de casa.



De vez em quando vemos um caça cruzando os céus de Djibouti (o que é meio difícil de fotografar) e é normal cruzarmos com tanques pelas ruas



Há algum tempo atrás um caminhão da obra colidiu com um desses tanques, que voltava de um treinamento militar. O tanque capotou e os soldados saíram meio atordoados lá de dentro. Estamos apreensivos com a represália...rs



O que se vê todo dia são camelos, muito camelos



Segundo informações, muitos deles são exportados para países do Oriente Médio.



O horário que chegamos na obra é exatamente o horário em que eles estão fazendo seu passeio matinal.

Sempre encontramos uma cáfila (coletivo de camelos, aprendi aqui...rs) na entrada do canteiro. À noite, algumas vezes, também cruzamos com cáfilas enormes pelas ruas da cidade



É verdade! Cuidado, camelos na pista!


Na pista mesmo!


Esse se perdeu do bando



O que eu mais gosto é o jeito “tô nem aí” deles. Eles tem uma cara meio esnobe...rs



E que tal a pose desse?

Também acompanhamos, no caminho para a obra, a construção de uma loja.

No dia da concretagem da laje, aquilo parecia um formigueiro



Mas o que eu não sabia e que alguns colegas de trabalho me esclareceram é que eles usam nessa concretagem uma bomba de alta tecnologia de 50 HP (50 Homens Pretos, hehehe). O concreto vai passando de mão em mão na base do baldinho! Pro pessoal da segurança do trabalho, fica a missão de achar quantas irregularidades e quantos potenciais acidentes podem ser vistos nessa foto.



Falando em segurança, é interessante ver algumas placas da obra. Mensagens em vários idiomas para sensibilizar a todos, em um lugar onde não se tem muito a cultura do trabalho seguro



Outros avisos procuram ensinar boas maneiras ao se utilizar os banheiros. Isso quando os mesmos são utilizados, pois é comum eles fazerem suas necessidades pelos cantos da obra. Eu mesmo já vi alguns em plena atividade...rs



Placas proibindo o consumo do khat, a cocaína local, nas dependências da obra. O khat chega todos os dias de avião da Etiópia, no mesmo vôo que eu peguei na minha vinda pra cá



Perto do meio-dia são montadas as barracas nas principais avenidas e começa a venda da droga. Pra dar um “barato”, é preciso mascar as folhas da planta por umas 3-4 horas e é comum ver os djibutianos com bolas enormes de khat na boca. Alguns tem os dentes até verdes de tanto mascarem e outros conversam contigo com uma gosma verde no canto da boca

Bom, é isso...Carros caindo aos pedaços, enfeites que chegam a dificultar a visão do motorista, volantes do lado esquerdo e do lado direito, pedestres suicidas, condutores entorpecidos pelo khat...

Pensando bem, tem muitos motivos pro trânsito daqui ser do jeito que é!

No próximo post, continuarei dando um volta com vocês pela cidade. Até lá!