O passeio tem uma logística um pouco mais complicada, porque o acesso é feito com barco e a viagem dura cerca de 30 minutos. Dessa forma, aproveitamos o feriado de “Eid ul-Fitr” para organizar um passeio para a ilha.
Eid significa festividade e Fitr significa quebrar o jejum, pois esse feriado celebra o final do Ramadan, período em que os muçulmanos jejuam (não bebem nem mesmo água) desde o nascer até o por do sol. Diz-se que foi durante esse período que o Corão foi revelado ao profeta Maomé.
Durante o Ramadan, a produtividade na obra é baixíssima, pois todos os funcionários muçulmanos não trabalham na parte da tarde, uma vez que podem passar mal debaixo de tanto sol e sob o rigoroso jejum, que só é quebrado ao anoitecer com uma refeição chamada aftar. Conforme definição que ouvi aqui, é como se fosse um mês inteiro festejando o Natal, com as famílias se reunindo para comer e celebrar todas as noites. Até mesmo o khat, a droga local, só é vendido e consumido depois que o sol se põe.
O “Eid ul-Fitr” é um feriado de dois dias e seu início é incerto, pois o calendário islâmico é lunar e o começo da festividade depende da visualização de uma determinada posição da lua, o que é anunciado pelas autoridades religiosas. Isso acabou inviabilizando para mim qualquer planejamento de viagem para algum lugar mais longe (tinha pensado em visitar a Etiópia), porque só fiquei sabendo o dia exato na véspera.
Mas, fechando o parênteses sobre o Ramadan e voltando ao assunto principal dessa postagem, foi depois do anúncio oficial dos dias de folga que fechamos um grupo de 7 pessoas e decidimos alugar um barco, o que acabou custando 4500 DJF (francos djiboutianos) ou mais ou menos R$ 45 por cabeça.
A saída foi perto de 10 horas da manhã de uma marina localizada próxima ao porto de Djibouti. O resto do passeio eu conto através das fotos e vídeos abaixo.
Meu chefe, ou como dizem aqui na Odebrecht, meu líder Márcio, o paulista com sotaque mais mineiro que eu conheço.
Navios atracados no porto de Djibouti. Outro desafio do nosso projeto vem da logística do transporte de materiais e equipamentos por via marítima, o que vem sendo agravado pela ação dos piratas da Somália (nunca pensei que um dia eu fosse ter que considerar isso na elaboração de um planejamento...rs).
O grupo em vídeo e em meio às ondas que faziam o barco pular.
Após uns 15 minutos de barco, fizemos uma pausa para observar os golfinhos que acompanhavam nossa embarcação.
Nesse vídeo é possível perceber a enorme quantidade de golfinhos que estavam à nossa volta.
A ilha de Moucha possui cerca de 3 km de extensão. Logo ao seu lado, localiza-se a ilha de Maskali e uma série de outras ilhas menores, além de uma barreira de corais que fazem com que esse lugar seja bastante procurado por mergulhadores do mundo inteiro.
No vídeo também é possível perceber a cor e a transparência do mar.
Lá existe uma certa infraestrutura para passar o dia e fazer um belo churrasco. Como não estávamos preparados para tanto, seguimos adiante à procura de outra praia para aportar.
Do outro um manguezal com suas árvores de raízes aéreas (a foto foi cortada na altura da barriga propositalmente...).
Vídeo com uma tomada geral da praia. Aqui não foi um bom lugar para mergulhar. Além da grande quantidade de algas, também não vimos peixes nessa praia.
Resolvemos então partir para outra praia. Essa foto não está torta... sou eu que estou sentado nesse lado do barco.
Esse vídeo também não está torto. Preciso fazer um regiminho...
Nesse lugar fiz o melhor mergulho da minha vida até agora. Uma água com visibilidade total, corais nos mais diferentes formatos, ostras gigantescas, peixes das mais diversas espécies, cores e tamanhos. Realmente um show. Vimos também uma arraia e dizem que por aqui existem tubarões-martelo e tubarões-cinza.
Essa é a casa de veraneio do dono da construtora djiboutiana que é nossa parceira no projeto do porto.
Ao fundo podem ser vistas algumas cabanas onde é possível se hospedar para passar alguns dias na ilha.
Essa praia foi a mais bonita que encontramos. Areia branquíssima com uns peixes da mesma cor, água transparente e com temperatura agradável. A galera aproveitou bastante.
Curtindo a vida em Moucha
Voltamos para casa perto das 2 da tarde, por conta do horário do barco e também porque já estávamos satisfeitos com o que tínhamos visto. Ah...e também porque tinha uma feijoada sendo preparada pela Dona Lucila, hehe.
Moucha é realmente muito bonita e vale qualquer sacrifício para ser visitada. Da próxima vez queremos pegar uma barraca e organizar uma churrascada por lá. O melhor mesmo é levar a Dona Lucila, para que não tenhamos nenhuma tentação para voltar!!