Mas, antes da partida, tinha que ter mais uma festinha né?
Bolo de brigadeiro e torta de limão
Pausa na dieta
Em Guarulhos, retirando as bagagens, encontrei um amigo de infância, o Sergião. Por incrível que pareça ele conhecia Djibouti, pois um cliente da empresa em que ele trabalha é de lá.
Encontrar o Sergião naquele momento me fez refletir que essa situação de encontrar amigos em todo lugar, fato que sempre foi comum para mim a ponto de me chamarem de vereador, daqui por diante seria muito improvável. Como eu lidaria com isso?
Preferi pensar pelo lado positivo. Na verdade, a partir de agora poderia ter amigos também em Djibouti, Dubai, Abu Dhabi, enfim…estenderia meu nicho eleitoral até o Oriente Médio, hehehe!
Balcão da Emirates encontrado, momentos de tensão ao despedir-me de minhas malas. A partir de agora só as reencontraria em Djibouti…ou não…A esperança de conseguir um assento na saída de emergência foi por água abaixo, pois fui informado que havia 11 recém nascidos a bordo. Putz! Além de ocuparem os únicos lugares onde consigo esticar minhas pernas, será que os pentelhinhos me deixariam dormir durante a viagem?
A espera no aeroporto foi amenizada pela transmissão das Olimpíadas com a incrível vitória dos americanos na prova dos 4x100m livres na natação.
O avião da Emirates é muito bacana e o pessoal de bordo (a maioria brasileiros) muito elegante. Fui sentado ao lado de um grupo de adolescentes, que mais tarde fiquei sabendo que eram da Jordânia e que vieram ao Brasil para umas competições esportivas.
Deviam viajar bastante pela Emirates ou então era a habilidade inerente aos mais jovens, porque enquanto eu me batia tentando descobrir os comandos do meu monitor, eles demonstravam uma familiaridade incrível com tudo aquilo. Em alguns momentos, percebendo minha agonia, o simpático jovem jordaniano me deu seu apoio técnico, como se quisesse me dizer: não é aí que aperta seu idiota!
Como sempre, não dormi. O único momento em que cochilei foi justamente quando sobrevoávamos o Lago Vitória, no meio da África, algo que gostaria de ter visto lá de cima.
Esse deve ter sido o dia mais curto da minha vida. Viajando para o leste, com o sol no sentido contrário, quando percebi já era noite de novo e estávamos chegando em Dubai.
O aeroporto de Dubai é menos chique e suntuoso e talvez por isso, menos brega do que eu imaginava. O que mais me impressionou foi o intenso movimento, típico de shopping center em véspera de Natal (só que eram 2 da madrugada!), além da evidente diversidade cultural, manifestada nas roupas, cor da pele, idiomas, mas que se transforma em igualdade quando o sono aperta e a galera, independente de nacionalidade, religião, sexo, etc. começa a se esticar pelos corredores do aeroporto pra dormir.
Em Dubai deu tudo certo. Deu tempo pra comprar uns souvenirs, a emissão do bilhete para o novo trecho, que lá é feita por funcionários do próprio aeroporto e não nos guichês das companhias aéreas, também correu sem problemas e o vôo saiu no horário marcado para a Etiópia.
Etiópia? Quem diria que algum dia eu pisaria nesse lugar. Esse país que só aparece nos noticiários brasileiros quando o tema é fome ou corrida de longa distância.
Mas minha primeira impressão, pelo menos de cima, foi bem diferente do que eu imaginava. Muito verde, rios caudalosos e um clima meio chuvoso.
Addis Ababa fica num planalto e cheguei a sentir até um friozinho, pois estava na estação chuvosa com a temperatura na casa dos 18 graus, conforme me informou o guia do hotel onde eu iria ficar. Isso mesmo… Como meu vôo chegou às 7 e meia da manhã, tirei um visto ali mesmo no aeroporto e procurei um hotel para dormir até o horário da minha conexão para Djibouti às 5 da tarde. O papo com o guia e com o motorista da van girou em torno do mesmo assunto. Eles realmente mudam quando sabem que somos brasileiros. A primeira reação é sempre igual, um sorriso estampado no rosto e o nome de um jogador na ponta da língua: Ronaldinho!
No caminho para o hotel, pude ver uma cidade pobre mas com alguns prédios bonitos, muita sujeira pela rua e um trânsito, que apesar de não muito movimentado, proporciona fortes emoções a todo momento. Os prédios em construção, mesmo com vários andares, possuem andaimes para serviços externos totalmente feitos em madeira (é de dar medo!) com rampas gigantescas, também em madeira, para acesso aos andares.
O hotel Queen of Sheba, com esse nome de personagem do Senhor dos Anéis ou do Guerra nas Estrelas, estava longe de ser um hotel luxuoso apesar dos 89 dólares da diária, mas também não chegava a ser uma espelunca.
Vista da janela do quarto para os fundos do hotel, onde pude acompanhar uma pelada de altíssima qualidade de uns molequinhos
A cama não era das melhores, mas foi suficientemente boa para me fazer perder o vôo de conexão para Djibouti. Apesar da correria e de ter chegado meia hora antes do horário do vôo, não consegui embarcar. Após resolver a remarcação da minha passagem para a manhã do dia seguinte, voltei para o mesmo hotel tão puto da vida comigo mesmo, que nem ouvi o motorista da van mostrando os mesmos pontos turísticos pelo caminho.
Não tive coragem e nem mesmo disposição para conhecer a “night” de Addis Ababa. Dormi cedo e cheguei 2 horas antes do horário do vôo. Foi bom porque o processo de embarque passa por mil guichês, 2400 raios-X, sendo que em cada um deles você praticamente fica nu. No entanto, fiquei com a nítida impressão que se eu não tivesse parado no guichê da Ethiopian Airlines para perguntar sobre o meu vôo, no dia anterior, eu teria embarcado sem maiores problemas. Paciência…
Mas deu tudo certo e embarquei para Djibouti. Minha viagem de ida finalmente estava chegando ao fim, 59 horas depois da saída de Curitiba.