quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Djibouti: home sweet home

Fui recebido no aeroporto por um funcionário da empresa, morador local da cidade. Logo me deu a boa notícia de que minhas malas haviam chegado, mesmo com toda a confusão do vôo perdido na Etiópia. Depois disso, uma notícia estranha...meu passaporte teria que ficar no aeroporto por alguns dias por conta da burocracia para a emissão do visto. Bom, pelo menos eu não precisaria ficar alguns dias preso ali...

Mas logo veio na minha cabeça a brincadeira do Digo, meu irmão, que disse pra eu tomar cuidado porque estava indo para um país estranho, com uma ótima proposta de trabalho, mas sem conhecer ninguém onde iria ficar e que só faltava eu chegar e alguém pedir pra ficar com meu passaporte...rs (numa clara alusão ao tráfico de mulheres brasileiras para a Europa). Fazer o que? Era isso ou enfrentar uma fila enorme de estrangeiros que já se formava numa salinha apertada do aeroporto. Resolvi arriscar e confiar...o pior que podia acontecer era eu ter que dancar em cima de algum balcão de bar...rs



Meus primeiros passos em Djibouti foram entre o aeroporto e a minha nova casa. Um trajeto curto, mas que me deixou uma boa impressão. A cidade, ou pelo menos essa região, parece ser bem mais limpa e organizada do que Addis Ababa, ou melhor, menos suja e menos caótica. Há uma certa explicação, pois enquanto a capital da Etiópia possui mais de 2 milhões de habitantes, a cidade de Djibouti não deve ter mais que 500 mil.


Vídeo da saída do aeroporto em direção à Staff House 1. Passamos em frente ao Compound 1, república onde ficam alguns encarregados, em sua maioria colombianos.


Trajeto entre o aeroporto e a minha nova casa. O trecho filmado está pintado de amarelo.

A Staff House 1 é uma das repúblicas onde ficam os engenheiros do empreendimento (existe também a Staff House 2) . Fica ao lado do quartel da Legião Estrangeira Francesa, num bairro repleto de casas enormes, na verdade mini-edifícios que abrigam varias famílias. As paredes são espessas e o pé-direito bem alto, como os prédios e residências mais antigos do Brasil.

Fachada da Staff House 1, construída por um britânico: ao todo deve ter mais de 20 quartos


Sacada do meu quarto: jogue as tranças Rapunzel, hehe...


Gabode 6, meu novo endereço: apesar de ser o bairro dito mais nobre da cidade, nem por isso as ruas são asfaltadas. Em frente a cada casa, um segurança que passa o dia inteiro sentado chamado watchman.

Assim que cheguei na casa, conheci Dona Lucila, a cozinheira baiana de quem a Eliane já havia me falado. Logo que me viu, falou: Vixe, vamos ter que trocar a cama do quarto dele!!

Fui apresentado à equipe de assistentes djiboutianas de Dona Lucila, que a ajudam na cozinha, na limpeza da casa e que também lavam e passam as roupas dos moradores. Mordomia!

Depois de repassar todas as regras da casa, Dona Lucila me ofereceu o almoço: um prato gigantesco de lazanha que devorei em alguns minutos.


Meu quarto e a cama arrumada às pressas. A outra era de solteiro e não cabia nem metade do do meu corpitcho, hehe...

Outro ângulo: aqui devia ser a cozinha do segundo andar. O bom é que tenho um monte de armários!

O banheiro é compartilhado com mais duas pessoas. Chuveiro ótimo, com muita pressão. Mas a água é dessalinizada, o que faz o cabelo ficar uma juba depois de um tempo, além de dar a sensação de que você continua ensaboado, mesmo depois de se enxaguar bastante.


Espelho, espelho meu...

Sala de TV: muitos canais em árabe, uma sinfonia para os ouvidos!


A vizinhança: muitos deles franceses


Terraço enorme, bom pra fazer umas festas! Isso é um depósito, mas parece mais uma casinha de cachorro.




Falando em cachorro... Muchkilah: o mascote da casa e xodó da Dona Lucila. Passa o dia inteiro dormindo, entre uma poça e outra, mesmo quando acaba de sair do banho... o que justifica seu nome, que em português significa Problema...vida de cachorro na África nao deve ser mole!




Eu na laje (coisa de pobre)... apreciando o bairro num sol de rachar ao meio-dia!

Após o primeiro dia de trabalho, voltei pra casa e apaguei no quarto, às 7 horas da noite, sem forças nem pra jantar. Só acordei às 6 da manhã do dia seguinte, com os alto-falantes da mesquita em frente à minha janela chamando o povo pra rezar e com o barulho dos corvos cantando e andando no telhado de zinco. Assustador!



Um dos meus despertadores...


...e os outros

Na casa vivem cerca de 20 pessoas, a maioria brasileiros. Moram também alguns colombianos, uma filipina e um indiano. Aqui são feitos os almoços e jantares para os engenheiros e equipe administrativa da obra. A casa ainda tem uma mini-academia, com esteira, bicicleta ergométrica e um aparelho para exercício de remada. Quero ver se perco os quilinhos que ganharei com a ótima comida da Dona Lucila! Temos uma boa conexão wireless com a internet, o que foi um alívio para mim, pois imaginei que ficaria incomunicável por algum tempo.

Bom, é isso! Apesar de ter saudades do silêncio e de acordar com o canto dos passarinhos no meu apartamento em Curitiba, acho que a casa, a comida e a cidade não serão problemas para mim, o que já é muito importante!

Ah, e se alguém tiver uma dica de como posso configurar o meu teclado em português, por favor me passe... Por enquanto tenho me virado assim: criei um arquivo no Word, a partir do mapa de caracteres do Windows, com todas as letras acentuadas do português. Escrevo o texto sem acentuação e depois, na base do CTRL+C, CTRL+V, substituo cada letra acentuada. Além disso, estou com um computador sem mouse e com as teclas de direção (as setinhas) estragadas. Considerando o tempo pra fazer o upload das fotos, imaginem o trabalho de escrever esse blog, hehe....



Meu notebook e seu teclado cheio de cobrinhas...

Valeu!! Na próxima postagem escreverei sobre o trabalho aqui em Djibouti...

5 comentários:

Isabelle disse...

Oi Re!!!
Pra quem tá com problema no computador vc até que tá se virando, hein? Imagina se não tivesse desconfigurado???? Fala sério!!!
Até que sua casinha é legal né?!
Quando for fazer o churrasquinho na laje não esqueça de tirar várias fotos!!!
Bjks

Anônimo disse...

É isso ai Renato, até que não ta nada dificil a vidinha ai, né? Comidinha baiana, acarajé, etc. heim!
Um grande abraço, vamos acompanhando seu desempenho ai.
F.Pucci

Anônimo disse...

Salve Renato!
Estou adorando o seu blog!
Que fofo o Muchkilah, já sou fã da Dona Lucila, grande coração!
Saudade de você e do seu astral. Cuide-se, um abraço meu e do Tuto. Estamos torcendo por você!!!

Anônimo disse...

OI RE. QUE VIDA MANEIRA HEIN.MAS SEU TRABALHO POR AI SEJA UM SUCESSO.
UM ABRAÇO COM SAUDADES
CHE

Anônimo disse...

Ola Renato, tudo bem? eu tbm deverei ir p/ Djibouti ainda este ano a trabalho nesse mesmo porto, e gostaria que vc me desse algumas dicas sobre a cidade e sobre a viagem, tipo: quantas horas de vôo, se devo levar notebook, e alem da vacina contra febre amarela, que outros cuidados devo tomar? Se puder me responder por e-mail falexalves10@hotmail.com
desde ja agradeço, Fabio Alex